quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sobre o tempo cronológico


O tempo cronológico, linear e em seqüência, que dita o ritmo de nossas vidas, chama-se cronos. Na tradição grega, desenvolve-se a mitologia do Tempo (Chronos) ligado à Memória (Mnemosýne), sua irmã. A experiência humana do tempo – como se fosse uma força que destrói -, se ligada à memória, pode fornecer a ilusão de eternidade. O Tempo é anterior aos deuses olímpicos. Há o relato de Hesíodo, por exemplo, sobre a Terra (Gaia) e o Céu (Uranos) que geraram o Tempo (Chronos), pai de Zeus, e a Memória (Mnemosýne). Para os gregos, cronos representava o tempo que falta para a morte, um tempo que se consome a si mesmo. Por isso, seu oposto é kairos: momentos afortunados que transcendem as limitações impostas pelo medo da morte!
Kairos é uma antiga noção grega que se refere a um aspecto qualitativo do tempo. A palavra kairos, em grego, significa o momento certo. A palavra correspondente em latim, momentum, refere-se ao instante, ocasião ou movimento, que deixa impressões únicas por toda uma vida. Por isso, kairos refere-se a uma experiência temporal na qual percebemos o momento oportuno em relação à determinada ação: saber a hora certa de estar no lugar certo.
Podemos, então, definir o tempo do agir humano como tempo Chronos e o tempo transcendente como Kairos, pois o mundo espiritual trabalha no tempo kairos.
Nosso conhecimento inicial do tempo provinha de narrativas orais ou escritas, que se iniciaram com as civilizações antigas como uma forma de estabelecer vínculo com o passado. A tradição das narrativas era um modo de se integrar à ação com a organização espaço-temporal das comunidades. O tempo, que intervém no discurso ou nas narrativas em geral, apresenta dois aspectos principais: a “história inventada”, voltada ao entretenimento, já que seu objeto é a abstração e imaginação e não a realidade; e a História, como objeto de estudo, para narrar e explicar um discurso cuja verdade lhe é exterior sob o ponto de vista do autor, origem, localização geográfica e sociedade organizada presente nela.
Portanto, a construção do Tempo humano privilegia a Memória como conquista progressiva do homem, tanto de seu passado individual como do passado coletivo do grupo social que estava inserida.
Nesses dias a conexão entre o tempo e o espaço era bastante nítida. Todas as culturas deste tempo possuíam maneiras de calcular o tempo: calendários, entre outros. O cálculo do tempo, base da vida cotidiana, sempre vinculou tempo e lugar: o “quando” só fazia sentido se vinculado ao “onde”. A vida social estava dominada pela localização das atividades. Porém, com o advento das novas formas de comunicação – internet, etc – pode-se perceber que há uma transformação no comportamento humano, principalmente dos jovens, pois podemos interagir com pessoas de todo o mundo simultaneamente, assim o tempo cronológico está tomando outros rumos. Temos hoje na internet uma hora mundial, barreiras estão sendo quebradas e o “quando” e o “onde” já não ditam todas as regras em nossos dias.

O tempo pontual das sociedades informatizadas

Sociedade Informatizada é aquela que, essencialmente, se baseia na utilização de computadores para inúmeros tipos de tarefas como pesquisa em diversos âmbitos, consultas bancárias, conexão com outros usuários, entre outros.
Essas máquinas chegaram a tão alto patamar tecnológico que hoje acaba por substituir muitas funções antes executadas pelo próprio homem e que já não podem executar sem a intervenção dos mesmos.
A grande gama de oportunidades e informações que são disponibilizadas através da rede mundial de computadores torna essa sociedade como se fosse uma interligação entre pessoas sem que a distância entre elas influencie. Apesar das facilidades de se conectar a essa rede, ainda há muitas pessoas que são excluídas desse meio da informatização. Há vários questionamentos de diversos autores sobre a influência desse tipo de comportamento na vida social atualmente e futuramente.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Num esforço para compreender o tempo em que vivemos ou o tempo que algumas pessoas/grupos vivem no presente, PierreLévy(1993) analisa outras formas de viver/sentir/pensar/produzir o tempo na era da informática. A primeira inferência diz da velocidade do tempo, não mais adequado à linearidade proposta ou imposta pela modernidade ou, no dizer do autor, o tempo das sociedades da escrita. Esta velocidade é percebida em vários sentidos e estamos sempre"atrasados" em relação a essa tecnologia.


Pierre Lévy (1993) aborda as temporalidades mutantes do entorno técno-social e apresenta três modalidades temporais não lineares e seqüenciais, mas coexistentes, concomitantes. Primeiramente, destaca uma temporalidade cíclica das sociedades de transmissão oral, em que a palavra funciona como um gestor da memória social, ritualizando a passagem do tempo como um constante recomeço. É o tempo do eterno retorno, o tempo circular. Um tempo em que guardar todas as aprendizagens na memória tem sentido, pois é uma garantia de preservação cultural. Lévy também aponta o tempo linear das sociedades da escrita, que imprime uma ordem seqüencial nos calendários, datas,anais e arquivos. É a memória estocada, é o tempo da irreversibilidade. É o tempo em que os registros gráficos e, principalmente a escrita, passam a modular as relações e constituem"estocadores" de memória. Por fim, o tempo pontual das sociedades informatizadas; o tempo da memória curta, que salta de um ponto a outro, organizado como rede, como rizoma. Tempos passados que se presentificam, coexistem.


As reflexões sobre o tempo, destacadas por Lèvy, colocam em questão a mutação temporal que está em curso e que está produzindo outras subjetividades. O autor afirma que "linguagem e técnica contribuem para produzir e modular o tempo".

BERGAMASCHI, Maria Aparecida (UFRGS)




terça-feira, 26 de maio de 2009

O pensamento primitivo da sociedade pré-industrial


“A mais nobre aquisição da humanidade é a fala, e a arte mais útil é a escrita. A primeira distingue eminentemente o homem da criatura bruta; a segunda, dos selvagens sem civilização.”

Astle (apud OLSON, 1997, p.19)
PASSADO E PRESENTE, QUE TEMPOS SÃO ESTES? A ESCRITA, O LEITOR E A ERA DIGITAL. Fabrício dos S. Brandão

Desde a era mais primitiva a humanidade tentou recorrer de algum modo a um tipo de atividade que traduzisse os seus sentimentos, emoções, feitos e, principalmente, o seu pensamento. Assim, utilizou-se de vários recursos mnemônicos como os mitogramas, calendários, mas estes ainda não permitiam que o homem interagisse no espaço social mais ativamente.
A preocupação com a lembrança, a recordação de maneira mais envolvente e universal levou os fenícios a inventar um sistema gráfico para o discurso mesmo não sendo esta a intenção. Naquela oportunidade o alfabeto estava formando um dos principais meios de se comunicar.
Por sua vez o alfabeto, como sinônimo de escrita, transformou-se em uma dádiva para a relação interpessoal e interespacial, por este caminho, sociedades nas mais diferentes partes do planeta irão cultuá-lo a ponto de ressignificá-lo na forma de língua.
Logo, expressar o verbal para a sociedade grega funcionou como um instrumento de imortalidade cultural, espiritual, artística e política, legando aos nossos dias formas de ver e pensar o mundo. Na verdade, o aparecimento desta habilidade comunicativa no campo social fez da sua natureza diversas forças, sejam estas, de poder, dominação, intelectualidade ou até mesmo de memória.

PASSADO E PRESENTE, QUE TEMPOS SÃO ESTES? A ESCRITA, O
LEITOR E A ERA DIGITAL.
Fabrício dos S. Brandão


"Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada. Não se pode mais conceber a pesquisa científica sem uma aparelhagem complexa que redistribui as antigas divisões entre experiência e teoria. Emerge, neste final do século XX, um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não inventaram".
(LÉVY, Pierre. As tecnologias da Inteligência - O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 2004, 13a. Edição.)